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Aos 82 anos, WANDERLÉA revela a TRAGÉDIA na sd PISCINA que marcou sua vida pra sempre

Aos 82 anos, WANDERLÉA revela a TRAGÉDIA na sd PISCINA que marcou sua vida pra sempre

O Brasil inteiro conhece este sorriso. A menina de Minissia e Botas Brancas que dançava na TV Record todas as tardes de domingo. A ternurinha, a primeira popstar feminina deste país. Mas por detrás daquele sorriso, Vanderley carregou durante décadas uma dor que quase ninguém conhece verdadeiramente. E esta dor tem um cenário que se repete.

uma piscina. Na primeira vez, a piscina levou o grande amor da vida dela. A segunda vez levou o filho de 2 anos. Para trazer este documentário, foram semanas a pesquisar entrevistas, reportagens e a autobiografia que a A própria Vandeleia escreveu sob a forma de diário. Toda a gente conhece a ternurinha, a imagem doce, o apelido carinhoso, as músicas que marcaram gerações.

Mas o que aconteceu quando as câmaras se apagaram e os palcos esvaziaram foi tão brutal que a própria Vanderleia precisou de 40 anos para conseguir colocar no papel. E esta história começa muito antes da Jovem Guarda. Começa com uma menina de 10 anos em Governador Valadares e uma bala perdida. Governador Valadares, interior de Minas Gerais, 1944.

Numa casa cheia de gente, nasce mais uma menina. Wonderlea Sharlope Bower Salim, filha de imigrantes libaneses, criada no meio de 13 irmãos. 13. e quase todos com nomes, começando por Wonder, Wonder, Wonderley, Wonderbell, Wonderbill, uma família inteira que parecia encaixar dentro de uma só palavra. O pai, o senhor António Sin, trabalhava com máquinas e tratores.

Homem conservador, de poucas palavras e muitas regras. Em sua casa, menina aprendia prendas domésticas. Menina não saía de noite e menina, com toda a certeza, não ia tornar-se cantora, mas a menina não concordava. Wonderlea cresceu com o rádio ligado. A mãe ouvia música o dia inteiro e a filha ficava ali colada num aparelho que ficava numa prateleira lá no cimo da parede.

Aos 3 anos de idade, sem saber falar direito ainda, ela apontou para o rádio e disse à mãe: “Um dia vou cantar lá”. Aos 10 anos já ganhava concursos em rádios do Rio de Janeiro. A família tinha-se mudado paraa ilha do governador e a menina tratou de se inscrever em tudo quanto era programa infantil. Ganhava um, ganhava outro, ganhava o seguinte.

O pai achava giro. Coisa de criança. Não era coisa de crianças. Porque enquanto Vanderleia sonhava com microfones e palcos, a vida já estava cobrando o primeiro preço. A sua irmã mais velha, Wonderlane, toda a gente chamava de Leninha, tinha 17 anos. Um dia, no Rio de Janeiro, em plena uma troca de tiros entre bandidos, uma bala perdida atingiu Leninha e matou.

Vanderleia tinha 10 anos. 10 anos. E já sabia o que era perder alguém para uma violência absurda, aleatória, sem explicação nenhuma. À família Salim, uma família de imigrantes tentando estabelecer-se num país estranho. Foi um terramoto. Foi na autobiografia dela. Foi. Ah, sim. Esta morte aparece logo no início do livro, como se Vanderleyer quisesse dizer: “Antes de eu ser a ternurinha, eu eu fui a menina que perdeu a irmã, mas a menina não parou.

Aos 15 anos já cantava em discotecas do Rio de Janeiro. Denoite, menor de idade. Precisava de autorização dos pais e do tribunal de menores para subir ao palco e conseguia as duas. Em 62 gravou o primeiro compacto. Em 63 o primeiro LP pela CBS. O pai foi com ela assinar o contrato na gravadora resignado porque já tinha entendido.

Aquela filha não ia largar a música, nem por regra, nem por medo, nem por dor. E foi precisamente nessa editora que Vanderleia conheceu um rapaz que também estava a gravar o primeiro disco dele. O seu nome era Roberto Carlos. Foi na CBS que tudo começou a mudar. Vanderleia tinha 17 anos e encontrou nos corredores da editora discográfica um rapaz magro de olhos escuros.

Roberto Carlos. Ela própria conta que houve paquera no começo. Achou-o um gato, mas logo percebeu que aquele gato era demasiado assediado e que paquera e carreira juntos não iam funcionar. Havia também o Erasmo. Vivia fazendo juras de amor nos bastidores. Mas depois a Vanderleia chegava na cochia e encontrava os dois ali de tu cabelo se arrumando para o programa.

e acabava com qualquer clima. Nunca namorou nenhum dos dois e diz que foi a melhor decisão da sua vida. Os três funcionavam como irmãos. Em 65, a TV Record chama Roberto para apresentar um programa dominical dirigido pro público jovem. Ele aceita com uma condição. Leva Erasmo e Vanderlle com ele. 22 de Agosto de 65.

Estreia a jovem guarda. Em menos de trs meses, 3 milhões de espectadores. Só em São Paulo. As ruas ficavam vazias aos domingos à tarde. O país inteiro colava-se à frente de uma TV para ver três jovens a cantar, dançando, rindo. E no centro daquele palco de Minissia e botas até à coxa, estava Wonderlea. Numa altura em que se esperava que a rapariga de família fosse bem comportada, Wanderleia subia ao palco de Minissia, calças, boca de sino, umbigo de fora e cantava rock em plena ditadura militar.

O impacto foi tão grande que surgiu uma marca com o nome dela. A fábrica estrela lançou bonecas inspiradas nela. As meninas imitavam o cabelo, copiavam as roupa, repetiam os gestos. Vanderlea não era apenas uma cantora famosa, era um produto de prateleira com uma boneca à sua imagem e uma geração inteiro de raparigas a quererem ser ela.

Isto nunca tinha acontecido com uma mulher no Brasil. Este é o retrato que o Brasil guarda de Vanderleia. A menina de Minissaia a sorrir na TV Record, partilhando o palco com Roberto e Erasmo. Alegre, colorida, invencível. Mas o que quase ninguém sabia é que enquanto a ternurinha sorria nas câmaras, a Vanderleia, de verdade, já tinha começado a pagar um preço altíssimo e a conta ia chegar a uma piscina.

O seu nome era José Renato Barbosa de Medeiros. Nanatu, como todos lhe chamavam, filho do Chacrinha. Vanderleia conheceu-o na época da Jovem Guarda e apaixonou-se do jeito que se apaixona quem está a viver tudo pela primeira vez. Ele era bonito, divertido, de temperamento doce. para Vanderleia, que vivia rodeada de holofotes e multidões.

O Nanato era o contrário de tudo aquilo. Era silêncio, era casa, era futuro. 7 anos juntos noivaram, planearam casamento. palco, a ternurinha em casa a noiva de Nanato, uma mulher que sonhava com filhos e um futuro que parecia garantido. Semana Santa de 1971. O casal viaja com amigos para uma quinta no interior.

Dia quente, tempo de feriado, piscina. Zé Renato decide dar um mergulho. Mergulha de cabeça num ponto pouco profundo. Bate com força no fundo. O impacto destruiu a coluna cervical dele. Braços, pernas, mãos. Com 20 e poucos anos, o filho do chakrinha ficou tetraplégico. Um gesto banal. um mergulho numa piscina de amigos e de repente todo aquele futuro simplesmente deixou de existir.

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