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TODOS FICARAM EM CHOQUE QUANDO O SHEIK ÁRABE ENTROU… ATÉ A GARÇONETE RESPONDER EM ÁRABE PERFEITO

 

Eles claramente não esperavam que ele fosse tão articulado ou conhecesse tanto sobre a região. Uma empregada de mesa se aproximou-se da mesa transportando um bloco de pedidos. Era uma mulher jovem de cerca de 26 anos, cabelo castanho apanhado num coque baixo, uniforme impecável e um sorriso profissional mais caloroso.

 Mohammad notou que ela se movia com elegância natural, não a elegância forçada de quem está a tentar impressionar, mas a graça genuína de quem tem confiança em si mesma. Boa noite, meus senhores. O meu nome é Marisa e vou tratar da vossa mesa hoje. Gostariam de conhecer a nossa carta de vinhos especiais? Claro, querida.

Carlos Eduardo respondeu com um tom condescendente que fez Muramade franzir-se ligeiramente as sobrancelhas. Mas antes, me diz uma coisa, conheces vinhos árabes? O nosso amigo aqui é do Oriente Médio. A Marisa olhou diretamente para Mohammed e este percebeu que ela não parecia envergonhada ou curiosa da forma invasiva que a maioria das pessoas ficava quando descobriam a sua origem.

Havia algo de diferente no seu olhar, uma inteligência natural que o intrigou. Conheço alguns vinhos do Líbano que são excelentes, mas se me permite sugerir, temos uma carta italiana fantástica que harmoniza-se perfeitamente com a nossa culinária. Muhammad ficou impressionado. A maioria das pessoas assumia automaticamente que não bebia álcool por ser árabe, sem sequer perguntar.

 Marisa tinha sido respeitosa sem fazer suposições e ainda demonstrou conhecimento sobre os vinhos da região. Perfeito, disse Muhammad. Pode trazer a sua melhor sugestão italiana. Enquanto A Marisa anotava o pedido, o André fez um comentário que chegou aos ouvidos dela. Bom, pelo menos ela sabe que vocês não bebem só leite de camela, pois não? Os outros dois riram-se e Muhammad sentiu o familiar aperto no estômago que sempre vinha quando presenciava este tipo de ignorância.

 Olhou para Marisa e viu que ela tinha ouvido o comentário também. A expressão no rosto dela mudou subtilmente, uma sombra de desaprovação cruzando-lhe os olhos. “Com licença”, ela disse, mantendo o tom profissional, mas Murhamad percebeu a tensão na voz. “Regresso já com a carta de vinhos. Quando Marisa afastou-se, Roberto inclinou-se sobre a mesa e baixou a voz.

 Cara, você tem que se entender que aqui no Brasil a gente é direto, percebe? Sem frescuras. Espero que não se tenha ofendido com a brincadeira. Mohammad respirou fundo. Ele estava habituado a este tipo de brincadeira, mas isso não significava que aceitava. Não há problema, mentiu. Vamos focar-nos nos negócios. Por 20 minutos, discutiram os detalhes do contrato.

 Mohammedad representava um consórcio de investidores que estava interessado em financiar projetos de infraestruturas no Brasil, especificamente na área da energia sustentável. Os números eram impressionantes, 200 milhões de dólares em investimento inicial, com potencial atingir meio bilião nos próximos 5 anos.

 A Marisa voltou algumas vezes a servir entrada, prato principal e verificar se estava tudo em ordem. Muhammad notou que ela era extremamente profissional com todos, mas havia uma subtil frieza na forma como tratava os três brasileiros depois do comentário desrespeitoso. Com ele, ela mantinha um respeito genuíno que não parecia forçado.

 “Então, Mohammad?” Carlos Eduardo disse depois de um gole generoso de vinho. Digam-me uma coisa, vocês árabes são mesmo todos ricaços do petróleo ou isso é só coisa de filme? Murhamad quase se engasgou com a água. A pergunta era tão direta e inapropriada que ficou sem palavras durante alguns segundos.

 O Roberto e o André riram como se o sócio tivesse feito a piada do ano. “A nossa economia é bem diversificada”, Muhammad respondeu, tentando manter a calma. Temos setores de tecnologia, turismo, finanças, educação. O petróleo é apenas uma parte. Ah, claro, claro. O André disse claramente, sem acreditar. Mas convenhamos, sem o petróleo vocês ainda estariam a andar de camelo pelo deserto, não é? Desta vez, Mohammed não conseguiu esconder a irritação.

 Ele estava prestes a responder quando sentiu uma presença junto da mesa. Marisa tinha voltado oficialmente para recolher os pratos vazios, mas Maomé apercebeu-se que ela tinha chegado bem na hora da ofensa. “Desculpem a intromissão”, Marisa disse, a voz cuidadosamente controlada, mas não pude deixar de ouvir.

 “Sabem que o Dubai tem uma das arquiteturas mais avançadas do mundo, não é? e que o Qatar está organizando o Campeonato do Mundo com tecnologia de ponta. Meio reducionista pensar que uma região inteira depende só de petróleo. O silêncio que se fez na mesa foi absoluto. Os três brasileiros ficaram boque abertos, claramente não esperando que uma empregada os confrontasse.

 Mohamedad sentiu uma onda de gratidão e admiração por aquela mulher corajosa. Carlos Eduardo foi o primeiro a recuperar e a sua reação foi previsível. Olha só, gente. A garçonete tornou-se especialista em geopolítica internacional. É, caro Roberto acrescentou com um sorriso condescendente. Acho melhor focares-te em servir as mesas e deixar os assuntos sérios para quem percebe.

 E Mohammedad viu o rosto de Marisa corar ligeiramente, mas ela manteve a dignidade. Claro, senhores. Peço desculpa pela intromissão. Quando ela se afastou novamente, Mohamad tomou uma decisão. Tirou o telemóvel do bolso e fingiu que estava a receber uma chamada importante, mas na verdade estava ligando para o seu próprio assistente em Dubai.

 “Sim, Armad”, disse ele no seu língua nativa, autto o suficiente para que a mesa toda ouvisse. “Estou no Brasil agora. O problema é que algumas as pessoas aqui não respeitam a nossa cultura”. Ele estava a falar sobre estar no Brasil e que algumas pessoas não respeitavam a sua cultura, mas sabia que os brasileiros não entendiam uma palavra.

 Queria apenas mostrar a sua língua materna e observar as reações. Os três empresários ficaram claramente desconfortáveis, sussurrando entre si e fazendo caretas como se o Mohamad estivesse a falar algum tipo de código secreto. Era exatamente a reação preconceituosa que ele esperava. Mas quando a Marisa passou perto da mesa transportando um tabuleiro para outra mesa, algo de extraordinário aconteceu.

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